“Santa Maria são duas ilhas unidas 
como duas siamesas que não 
sobreviveriam à separação”

João de Melo, in Açores,
 O Segredo das Ilhas
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Conceito
Outrora centro do mundo Ocidental, animado e estratégico porta-aviões do Atlântico, Santa Maria é um daqueles lugares de contrastes. Uma ilha de polaridades, mergulhada numa interminável dialéctica de opostos, onde causa e consequência se (con)fundem com frequência numa massa abstracta e comum.
Protagonistas
Num primeiro contacto, e ainda vista do mar, é uma mancha rochosa e estéril. Desencanta. Assume a forma de terra inóspita, que até tempestades criou fama de arrastar. Lá dentro, contudo, a história é outra. E se quem a espreita de fora tem vontade de se afastar, no seu coração generoso, Santa Maria surpreende e encanta, revelando-se uma terra de verde vivo e fecunda. Um tesouro reservado a quem se aventurou para além do óbvio e, como prémio, teve o privilégio de a encontrar.

Desta permanente tensão metafórica, criada a partir do choque entre o belo e o maldito, o isolamento e a invasão, o natural e o insólito, a doçura e a dureza, e as realidades da vida nos céus, na terra e no mar, se pretende construir Horizonte, um documentário de criação, observação e seguimento, assente num mosaico de curiosas histórias reais, desempenhadas por algumas das personagens-tipo que melhor poderão caracterizar os movimentos actuais e a identidade da mais oriental e continental ilha dos Açores.

Linha narrativa

O estilo da narrativa de Horizonte pretende-se maleável e universal, construído através de um mosaico feito de minudências humanas, e com uma linguagem assumidamente próxima da ficção. 

Contar uma história local com uma linguagem global e os ganchos editoriais próprios de um produto para todos os públicos, apesar das suas várias camadas de profundidade, é o objectivo final deste documentário destinado a um mercado comercial competitivo, quer a nível nacional quer a nível internacional.

Sempre com a dicotomia dos contrastes como pano filosófico de fundo, procuraremos confrontar o espectador com as diversas atmosferas físicas e humanas da ilha, num correr de quatro a cinco histórias cruzadas — de preferência, interligadas entre si —, e ao longo de um espaço temporal marcado pelo passar de duas estações distintas.

De forma despretensiosa, desconstruiremos a nostalgia do passado próspero da ilha e a incerteza do futuro; contaremos a vida dos pescadores e a dinâmica do mar no ecossistema da ilha; mostraremos as gentes da terra no seu quotidiano de trabalho e lazer; espreitaremos a vida nos céus a partir dos forasteiros do continente que, todos os anos, se estabelecem no Centro de Controlo Aeronáutico do Atlântico, trazendo consigo uma segunda economia e acentuando as polaridades da ilha; investigaremos os novos desafios tecnológicos, com a introdução do ultra-sofisticado centro de observação da agência espacial europeia; e observaremos como a Santa Maria agreste e isolada do Inverno se pode transfigurar durante o Verão, pintando-se de festa para receber uma das maiores e mais famosas invasões jovens com lugar nos Açores.

Estética 

No que toca à fotografia, pretende-se:
Utilizar o mais possível a luz natural, à excepção de certos momentos de interacção com personagens (para estes casos, prevemos a utilização de pequenos projectores portáteis, de baixa intensidade);
Potenciar ao máximo a atmosfera da ilha: através da luz difusa e dos tons cinzentos dos dias nublados, em que as cores serão praticamente nulas (associação simbólica ao preto do Basalto, origem geológica das ilhas e marca da paisagem açoriana), e a luz contrastante com as suas cores garridas dos dias de sol aberto (em particular, o verde e o azul).
Esta relação pode ser particularmente bem conseguida, uma vez que a paisagem da ilha de Santa Maria é dividida em duas zonas, uma mais árida e outra mais luxuriante e húmida.

Som e música

Em termos sonoros, utilizaremos como elementos sons directos e ambientais, captados ao longo das filmagens e, nalguns casos, pós-produzidos em estúdio. O som, de resto, assumirá neste documentário um papel fundamental na poética da narrativa, funcionando como um recurso de meta-linguagem forte, juntamente com a música.
Composta pela pianista Ana Araújo para teclas, cordas e percussão, a banda-sonora original de Horizonte será inteiramente criada a pensar na harmonia dramática do filme. Contará ainda com um tema da banda local Ronda da Madrugada, com letra de um dos protagonistas do filme. 

Formatos

Pela agilidade e a qualidade que oferece a preços razoáveis, o formato eleito para a concretização deste projecto é o vídeo digital de Alta Definição (excelente para broadcasting e muito interessante para projecção). 

Para o efeito, utilizaremos a câmara eleita no mercado pela melhor oferta HD em termos de qualidade e preço: a Panasonic AG-HVX200. Com ela, será possível registarmos imagens de grande qualidade que, na fase de pós-produção, poderão ser manipuladas cromaticamente com mais rigor e sem aberrações. 

Quanto à moldura do documentário, devido às suas características mais cinematográficas, será o 16:9 nativo (modo panorâmico), com uma proporcionalidade de 1:1,85. 

Sublinhe-se que, em termos de linguagem de câmara, será dada prioridade absoluta a imagens estáveis, captadas através do uso do tripé. Deste modo, o recurso à “câmara de mão” só acontecerá em situações que dramaticamente o exijam ou justifiquem.

Calendário

Após a fase de repérage, levada a cabo entre os dias 17 e 24 de Janeiro, as filmagens de Horizonte serão repartidas por duas fases de três semanas, respectivamente.

Se a primeira deverá ter lugar em Abril, a segunda acontecerá durante o mês de Agosto, de forma a apanhar as movimentações provocadas pela Maré de Agosto, chegada dos turistas e o regresso dos emigrantes à ilha.

Seguir-se-á uma fase de edição e pós-produção de três meses até à conclusão final do projecto, estimado para uma duração média de 40 a 52 minutos.

Agradecimentos

A equipa de Horizonte gostaria de agradecer todo o apoio e disponibilidade prestados na ilha de Santa Maria durante o período de pesquisa às seguintes pessoas e/ou entidades: AJISM, Alberto Costa, António Monteiro, António Valente, Armanda, Carina, Câmara Municipal de Vila do Porto, Central Pub, Clube Asas do Atlântico, Daniel Gonçalves, Elias Pinto, Emanuel Branco, ESA, Filipa Figueiredo, Helena Raposo, Henrique Medeiros, João Bexiga, João Cordeiro, João Reis, João Vasco, Jorge Costa, José António Furtado, João Pompilho, José Amaral, José Fontes, José de Sousa, Lina Furtado, Lota Açor, Lúcia Morais, Manuel Lourenço, Manuel Ricardo, Mário Fernandes, Max Brix, Nanda, Nélia Figueiredo, Nelson, Paralelo 37, Paulo Reis, Pedro Daimian, Pepe Brix, Rádio Asas do Atlântico, Restaurante Atlântida, Ricardo Batista, Ricardo Conde, Roberto Furtado, Rocklassicz, Ronda da Madrugada, Rui Marçal, Sérgio Marques e a todos aqueles que, de forma directa ou indirecta, têm ajudado a construir este projecto.

Linha aberta

Para nos dar sugestões, expor dúvidas ou deixar a sua opinião sobre o projecto, escreva-nos directamente para blablablamedia@gmail.com. 
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